Ser CALAMBAUENSE, é ter berço diferente! É recordar o passado, acreditar no futuro e viver o presente.


Contos e causos de Presidente Bernardes

Este espaço foi criado para descobrirmos "tesouros da Literatura" de Presidente Bernardes, pessoas que têm o dom de encantar as outras com suas palavras; palavras na qual embaralhadas umas nas outras tranformam - se em singelas frases, que muitas vezes tocam não só nosso coração mas também nossa mente e que nos faz refletir as maravilhas guardadas nessa cidade maravilhosa.

Aqui você pode escrever, inventar e postar poesias, crônicas, memórias antigas que estão guardadas em sua mente loucas para serem do conhecimento de todos, aqui o espaço é seu...

 

"...Quando alguém encontrar seu caminho, não pode ter medo. Precisa ter coragem suficiente para dar passos errados.

As decepções, as derrotas, o desânimo são as ferramentas que Deus utiliza para mostrar a estrada".
                                                                                                                                          


Contos, causos, poesias, pensamentos...

Data: 09/09/2015

De: j

Assunto: a

afg

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Data: 28/12/2013

De: JCBERNARDES

Assunto: O CUITÉ CURTIDO

O Cuité Curtido

O cuité, quando apanhado maduro, cuidadosamente serrado, limpo, lavado e devidamente seco, transforma-se em um utensílio de extrema utilidade para aquele que ainda habita lá nos calcanhares de judas, lá nos cafundós. Quando curtido nas dependências de domínio do fogão a lenha, então é uma vasilha indispensável na despensa.

Dona Maria, mulher do Ovídio Redondo, era de profundo senso de trabalho e organização. Estava fora do trabalho há vários dias por motivos de doença quando Dona Luzia resolveu visitá-la, levando-nos com ela: Didi e eu. Ovídio Redondo era querido por todos. Trabalhador assíduo, sorridente e loquaz, sabia merecer a confiança que todos depositavam nele. Morava junto da fazenda do Sr. Nem. Casa simples, recheada de detalhes e conchegos, quintal abastado de tudo. Seu filho, Benedito Redondo, herdou do pai as qualidades por todos reconhecidas. Ovídio não estava em casa.

A prosa das duas se desenvolvia na sala. Conversando na cozinha estávamos nós, o Benedito, o Didi e eu que ouvia tudo.

- Ô Bené, faz um café pra Dona Luzia, disse Dona Maria.

Prontamente o Bené pega uma peneira e diz: Ô Didi, vamos apanhar o café. Fica aí Zezé, você é muito pequeno.

Não demorou muito e estavam de volta com a peneira cheia de café em cereja.

- Ô Didi, agora nós vamos lavar o café.

A bica fica logo à porta da cozinha e com muita água. O café é lavado e apurado.

- Ô Didi, agora nós vamos socar o café.

O pilão devidamente limpo recebe todo o café. Socado, em pouco tempo tudo se transforma em uma massa uniforme ligeiramente esverdeada.

- Ô Didi, agora nós vamos lavar o café de novo.

Novamente a força da água da bica limpa e apura tudo, aparecendo o café in natura, belamente esverdeado. A magia de tudo isto vai, crescentemente, tomando conta do ambiente. A complexa singeleza do matuto se instala de maneira vívida e em cores.

- Ô Didi, agora nós vamos torrar o café.

Dizendo isso, coloca uma grande panela de ferro na trempe do fogão e atiça o fogo com força, colocando mais lenha. O fogo é avivado e o café despejado na panela. Sempre mexendo o café com uma colher de pau, aos poucos o cheiro forte do café torrado vai aparecendo. Não demora muito, tudo está pronto.

- Ô Didi, agora nós vamos socar o café torrado.

O pilão novamente é limpo e acondicionado. O café é socado e, rapidamente, transformado em pó. O cheiro característico é percebido. O pó de café é acondicionado em uma vasilha.

- Ô Didi, agora nós vamos cortar cana para fazer a garapa.

E lá se foram. Uma touceira de cana caiana foi desfalcada e as olhaduras devidamente talhadas. Os nós da cana foram esmagados com um soquete de pau apropriado.

- Ô Didi, agora nós vamos moer a cana.

Ao dizer isto providencia a limpeza das moendas da engenhoca com muita água e esfrega.

- Ô Didi, ajude-me desse lado aí.

Ele sabia que o esforço do Didi era inoperante, mas o que importava era a magia da engenhoca a produzir um som intermitente, lembrando o carro de boi. De repente a lata está cheia. Após coar a garapa com um pano ralo, sentencia:

- Ô Didi, agora nós vamos ferver a garapa.

Pegou uma chaleira na prateleira, destampou-a e colocou-a no fogo. Encheu-a de garapa e tornou a atiçar o fogo, ainda avivado. Apanhou uma escumadeira e foi retirando a espuma esbranquiçada que se formava na chaleira, na medida em que o fogo apertava e a garapa fervia. O cheiro característico da garapa a ferver também inunda o ambiente. Tudo pronto, nova sentença:

- Ô Didi, agora nós vamos coar o café.

Apanhou o mancebo, limpou-o com um pano e foi buscar o coador que estava no armário ajeitando-o no mancebo. Também buscou o bule esmaltado de cor azul. Pôs várias colheres de pó de café no coador e com cuidado pegou a chaleira com um pano e foi despejando lentamente a garapa fervente no coador. O coador, todo em fumaça, deixa vazar o ouro preto que enche o bule colocado adequadamente sob ele. Um cheiro forte e delicioso toma conta de tudo.

- Tá cheirando gostoso, disse Dona Luzia lá na sala.

O Bené apanha um prato, coloca nele duas pequenas vasilhas esmaltadas brancas e castigadas, enche-as de café e vai servir Dona Maria e Dona Luzia na sala. Ao voltar à cozinha sentencia, agora de maneira mais afável:

- Ô Didi, agora nós vamos tomar o café!

Apanha três cuités curtidos que estavam debruçados no armário e coloca café neles até o meio.

Não me lembro do gosto do café, mas, pelos comentários, deve ter sido maravilhoso.

Há pouco tempo, ouvi o Didi a se recordar deste fato. Quase com lágrimas nos olhos, comentou:

- Como eu gostaria de rever aquele momento, aquele café. Ainda sinto o seu gosto.

Imediatamente veio-me à memória os primeiros versos do famoso poema de Casimiro de Abreu:

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!

JCBernardes
27.12.2013

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Data: 27/12/2013

De: Murilo Vidigal Carneiro

Assunto: LUA DE CALAMBAU!

LUA DE CALAMBAU !

Lua que já iluminou
Nossos índios e ancestrais,
Luar que admiramos
E cada vez queremos mais.

Nossa seresta famosa
Não teria esse valor,
Se não tivesse essa lua
Com o seu belo fulgor.

Quantos amores surgiram
Testemunhados por seus raios,
Unindo sempre os corações
Molhados pelo orvalho.

Companheira sempre fiel
É a bela madrugada,
Andando sempre juntas
Cumprindo suas jornadas.

Aparece sempre alegre
No nosso torrão natal,
E será sempre bem-vinda
No querido Calambau !

Murilo Vidigal Carneiro- Calambau /Natal de 2013

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Data: 27/12/2013

De: Murilo Vidigal Carneiro

Assunto: LUA DE CALAMBAU!

LUA DE CALAMBAU !

Lua que já iluminou
Nossos índios e ancestrais,
Luar que admiramos
E cada vez queremos mais.

Nossa seresta famosa
Não teria esse valor,
Se não tivesse essa lua
Com o seu belo fulgor.

Quantos amores surgiram
Testemunhados por seus raios,
Unindo sempre os corações
Molhados pelo orvalho.

Companheira sempre fiel
É a bela madrugada,
Andando sempre juntas
Cumprindo suas jornadas.

Aparece sempre alegre
No nosso torrão natal,
E será sempre bem-vinda
No querido Calambau !

Murilo Vidigal Carneiro- Calambau /Natal de 2013
1

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Data: 22/12/2013

De: Eduardo Melo

Assunto: Hoje é que dia?

HOJE É QUE DIA ?
Eduardo Melo- Dez/2013

Luciano é alto, novo, forte; mas não “ é dois” e não consegue retirar da camionete os pesados sacos de milho. Esperou um pouco até que aparecesse um colega para ajudá-lo a bater a carga. Instante depois surgiu apressado um senhor subindo a Rua São José, indo em direção à Igreja. Era Joaquim fubá apressado para ir pro serviço. Joaquim é da região “das Bananeiras”, onde tem muitos parentes. Quem conhece “fubá” sabe da sua boa vontade em ajudar ao próximo e em qualquer momento, é positivo por natureza. Aos fins de semana revesa nos vários instrumentos de percussão: desde o pandeiro ao surdo de marcação. Como era segunda feira Joaquim, de ressaca, subia rápido para o pesado serviço de entrega e foi parado por Luciano: ”Joaquim! Me ajuda a tirar estes sacos aqui!” Joaquim apressado foi logo dizendo: “Não posso, pois estou atrasados pro serviço!” Luciano retrucou: “Uai...você vai trabalhar hoje”? Joaquim em meia parada perguntou ao amigo: ”Que dia é hoje”? “Domingo”, respondeu Luciano. A história deu uma quinada neste momento e a carga foi retirada da carroceria com calma, precisão e jeito pelos dois amigos e logo após o serviço, Joaquim interpelou o amigo;”Onde você está indo?” Antes do Luciano dizer o local, o parceiro já tinha tomado assento ao lado do motorista. Foi um longo domingo, muitas cachaças, passeio na fazenda, passeio na cidade de Paula Cândido, mais cachaça e etc e tal.
Na segunda feira “Joaquim fubá” subia apressado, antes da sete horas, a Rua São José em direção à Igreja, prá trabalhar!

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Data: 20/12/2013

De: JCbernardes

Assunto: A Joia da Coroa

A Joia da Coroa

Para o tropeiro não há local melhor. Tudo à mão. O curral, o pasto, a água, a coberta, a horta e o pomar ao lado, e a faina do tirar leite pela manhã, quando a tropa já está pronta pra partir. A magia de tudo isto é sofisticada e prazerosa. Estar no meio dos tropeiros e participar do preparo de suas refeições é o ponto máximo. Vem à memória a historinha da “Sopa de Pedras”, a sagacidade do tropeiro e a avidez do menino em participar da lida do tropeiro.

A magia é abrangente e cobre tudo.

Ao tirar o leite é hora da desnatadeira Alfa Laval ou do coalho para o queijo. O toque da manivela da desnatadeira é pesado até atingir o movimento adequado de rotação, informado pelo som da campainha. Mas, logo vem a recompensa. Basta abrir a boca debaixo da bica de creme e se deliciar com o mesmo até alguém admoestar: “Para com isto, você vai adoecer”. Que nada! Com o queijo é a mesma coisa: “Para de comer isto...”. Assim, as delícias e guloseimas vão acontecendo. Desde o angu doce até a joia da coroa. É uma longa viagem. Vejamos.

Todo aquele leite vai, ou para a desnatadeira, ou para a forma de queijo, ou para a vasilha grande a ser fervido, reservado e servido. O leite com angu é um rotina de delícias à parte. A broa, o tareco, o biscoito, a rosquinha, o cuscuz, a farinha suada são acompanhantes necessários, entre muitas outras gulodices rotineiras a desaguar na consoada. Aí tudo muda, ou se multiplica ao infinito. De 15 a 25 de dezembro não há mais creme, nem queijo: tudo é leite. Parece que a cidade inteira bate à boa porta pelo leite que é a base de tudo que gira em torno da consoada. Não se fala em outra coisa a não ser doces, bolos, broas, pudins, frutas e doces de frutas, licores e caldas carameladas, açúcar, melado, açúcar mascavo, rapadura. Não há limites.

Todo o dia 24, da manhã à tardinha, lá estou eu a levar e trazer doces, bolos, broas, pudins, frutas, caramelos e mais e mais. É um costume que logo, logo deixará de existir. É interessante essa troca de gentilezas, gostosas gentilezas!

Agora sim, já noite a magia gigantesca vai cobrindo tudo. Entre orações e promessas, cantos e músicas, velas e lamparinas, as gigantescas mesas cobertas de iguarias e doces de todas as cores e espécies se instalam para alegria geral. Não me canso de comer de tudo, tudo. Mas, uma joia resplandece em todas as mesas. Dona Luzia não se cansa de ajeitar seus detalhes. Orgulhosamente sorri quando todos, principalmente eu, “avançam” sobre a joia da coroa: a sopa dourada que ela faz com tanto esmero e carinho.

20.12.2013

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Data: 20/12/2013

De: TADEU CARNEIRO PEIXOTO

Assunto: Boas Vindas!

BOAS VINDAS!...

(Ao amigo DUDÚ MELO,Poeta)


ENQUANTO O TEMPO PASSAVA
DURANTE A VIAGEM QUE FAZIA,PASSAVAM TAMBÉM,
UMAS CENAS MAIS ANTIGAS E SAUDOSAS; E
AS NOTAS EM MÍNIMAS E SEMÍNIMAS
REENCONTRANDO-SE NOS ESPAÇOS DA PAUTA
DE ONDE,NA DANÇA DENTRO DE CADA TEMPO
O RITMO DITAVA AS FRASES,NOS COMPASSOS
MELODICAMENTE SE MISTURANDO...
ENTÃO, COMECEI A ME LEMBRAR DO ARTISTA
LEVADO PELA SAUDADE DOS VELHOS TEMPOS;
O BAR DO HUGO EM POÉTICAS RIMAS
ONDE A PROSA COMPENSAVA A POESIA...
FOI ASSIM,QUE ENTRE ESSAS RIMAS E PROSAS
LANÇADAS NO AR,EM VERSOS,SE MISTURAVAM
A CADA COLCHEIA,FUSAS E SEMI FUSAS
UMA VEZ QUE MÚSICOS E POETAS SE COMPLETAM.
TERMINADA A VIAGEM,FIQUEI PENSANDO:
IGUALAR AS VIRTUDES DE UM MÚSICO SEM
SABER O QUE VEM DENTRO DE SUA ALMA
TEM-SE,QUE COMPARTILHAR COM ELE
A SUA MELODIA,O SEU MODO DE TOCAR,
TODO SEU JEITO DE SER,E PARA ISSO,A
AMIZADE SINCERA,É FUNDAMENTAL...
HOJE,APÓS CHEGAR EM CASA,PENSEI:
TENHO QUE SAUDAR A CHEGADA DESTE MEU
AMIGO MÚSICO E POETA,AINDA MAIS,SABENDO
QUE SE TRANSFORMOU PARA TODOS NÓS,EM MAIS
UM NOBRE CALAMBAUENSE. TOMARA QUE ELE AME,
GOSTE DESTA NOSSA TERRA QUERIDA. ESTOU FALANDO DE
VOCÊ,CARO AMIGO,DE MÚSICAS E POESIAS; DE VOCÊ MAIS
CONHECIDO COMO"DUDÚ" O GRANDE POETA E FLAUTISTA,LÁ DA QUERIDA
E PEQUENINA TOCANTINS!... SEJA MUITO BEM VINDO NOBRE COMPANHEIRO,
ME AGUARDE PARA FUTURAS TOCATAS E SERESTAS NESTA TERRA
POR MIM,TÃO AMADA E CANTADA,EM RIMAS E PROSAS...

SEU AMIGO DE SEMPRE,

TACAPE.

25/11/2013

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Data: 28/11/2013

De: JCBERNARDES

Assunto: Moeda, Dourado e Marinheiro

Moeda, Dourado e Marinheiro

Já era tardinha, crepúsculo. Estávamos, eu e dois companheiros, conversando na
calçada defronte do n. 71 da Rua Goitacazes quando subia pela rua um senhor como
que procurando algum endereço. Fixei o olhar nele e o reconheci. Pedi licença aos
companheiros.

- O senhor me permite? Eu o conheço.
- Opa! Disse ele. Eu não o reconheço.
- Sim, eu sei. Mas eu conheço muito o senhor, e tenho certeza que o senhor também
me conhece.

Desconcertado e surpreso, ele esboça uma saída.

- Eu não me lembro do senhor, é estanho.
- Então eu vou falar três palavras, três nomes, e o senhor recordará de tudo.
Ele deu um passo atrás.

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- Oia moço, que coisa estranha. O senhor tá me deixando nervoso. Que é isso?
- Posso falar as três palavras?
- Pode, uai.
- Moeda, Dourado e Marinheiro!

Ele deu mais um passo para trás. Assustado, abriu os braços.

- Que é isso, moço. Ocê tá brincando comigo!

Um silêncio profundo. Os meus colegas, também assustados, tudo ouvia em
silêncio.

- Oia moço, o senhor me conhece mesmo, mas eu não sei quem o senhor é.

De repente ele explode de alegria.

- Pera aí, o que o senhor é do Seu Luiz?
- Sou filho dele, há muito tempo.
- Meu Deus! Nossa Senhora! Ocê é qual deles?... já sei, ocê é o Zezé, Zé Piaco.
- Sim sou eu.
- Ocê era muito pequeno! E o Seu Luiz, como ele está, e a Dona Luzia? Meu Deus
do Céu, Nossa Senhora! Santíssimo Sacramento! Que alegria, como tá todo mundo?

Depois de notícias alegres e tristes, expliquei aos atônitos colegas.

O meu pai tinha três animais de tropa; uma mula, a Moeda e dois burros, o Dourado
e o Marinheiro. Só ele lidava com os animais, dia e noite, a vida toda. Carregava
milho, capim, lenha, rapadura, banda de porco, tudo. Depois de se apresentar aos
colegas e contar alguns casos, João Carneiro disse-lhes que poderia ficar ali, a noite
toda, contando histórias e mais histórias do tempo em que trabalhava com o Seu
Luiz. Ao se despedir, comentou sobre ele:

- É o melhor homem que eu já conheci na vida. Nunca mais conheci outro igual a
ele. Boa noite.
- Boa noite.

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Data: 15/11/2013

De: Verônica Almeida

Assunto: TERRA BRASIL

Veronica Almeida 14 de novembro de 2013 23:59
Terra Brasil
(Patriótico)

Era só uma terra imensa
do outro lado do mar
mil milhas a navegar
Praias, cascatas, palmeiras
belezas pra admirar

Havia ouro, diziam
Mas se havia, levaram
E os índios que aqui viviam
pouco a pouco dizimaram

E os escravos vieram
em grandes navios negreiros
pra viverem nas senzalas
ou nos troncos nos terreiros

E teve um inconfidente
vítima de uma tramóia
pelas ruas arrastado
como na guerra de tróia

Mas esse gigante menino
Ergueu a espada forte
E nas margens do Ipiranga
Gritou: Independência, ou morte!

Que fosse a morte e de rastros
desse imperador primeiro
pois para cobrir seus gastos
vendeu-nos ao estrangeiro

Mas essa terra Brasil
berço firme, braço forte
Há de se erguer varonil

E para orgulho de seu povo
de oeste, sul, leste e norte
já vemos um Brasil novo

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Data: 13/11/2013

De: JCbernardes

Assunto: ELOS DE AMOR (Júlio Diniz)

Elos de Amor - Amel e Pennor (**)

- Longe, longe daqui, nas costas da Bretanha,
Poético país, que um mar sinistro banha,
Vivia, há muito tempo, um pobre pescador,
Que se chamava Amel, com a mulher Pennor.
Tinham eles um filho, uma criança loura,
Um anjo, que o porvir dos pais inflora e doura;
Ao voltarem a casa, alegres todos três,
Na praia os surpreende a noite de uma vez.
Crescia o mar veloz, medonho, ingente, forte!
Nesse tempo as marés eram vivas. A morte
Sobre as ondas boiava, indómita, cruel!
Olhando para esposa, assim lhe diz Amel:
- “Pennor, vamos morrer! A vaga se aproxima!
Viverás mais do que eu! Ânimo! Sobe acima
Dos ombros meus, mulher. Pousa-te bem. Assim.
E, ao veres-me sumir... ai, lembra-te de mim!”
Pennor obedeceu. Firmando-se na areia,
Desaparece Amel na vaga, que o rodeia.
- “Amel! bradava a esposa; ai, pobre amigo meu!
Qual de nós sofre mais? - tu, que morres, ou eu,
Que te vejo morrer?” - E as águas, que subiam,
O corpo da infeliz no vórtice envolviam.
Olhando para o filho, assim lhe diz a mãe:
- “Filho, vamos morrer! Olha a maré que vem!
Viverás mais do que eu! Vá! filho, vá! Coragem!
Sobe aos meus ombros, sobe! E ao tragar-me a voragem,
Ai, lembra-te de mim e de teu pobre pai!”
E o mar a submergiu. Chora a criança e vai
Pouco a pouco a afundar-se. À flor d’água revolta,
Apenas já flutua a trança loura e solta...
...Uma fada passou sobre o afrontoso mar;
Viu o cabelo louro, em baixo, a flutuar;
Estende a mão piedosa e, segurando a trança,
Com ela atrai a si a pálida criança.
E, sorrindo, dizia: - “Ai, que pesada que és!”
Mas viu cedo a razão; inda segura aos pés
Do filho estremecido, a pobre mãe começa
A erguer também da onda a húmida cabeça.
Sorriu a boa fada, ao ver assim os dois,
E repetiu ainda: - “Ai, que pesados sois!”
É que, após a mulher, seguiu-se o marido
Estreitamente aos pés da terna esposa unido.
Ao vê-lo, inda outra vez a meiga fada riu,
E, leve, para a praia o voo dirigiu.
Com este cacho vivo, esta humana cadeia
Cujos elos o amor piedosamente enleia.
_________________________
(**) Júlio Diniz (1839-1871) em sua doce "Família Inglesa".

(*) O Mundo é uma Criança é um projeto em fase de elaboração por Encontro Espiritual.

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